Dezassete anos ao serviço de um setor em transformação - e-outlook setembro 2026

EPCOL - Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes

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01 de outubro de 2026

Dezassete anos ao serviço de um setor em transformação

Ao terminar as minhas funções de Secretário-Geral da EPCOL — Associação de Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes, depois de dezassete anos, para além dos que fiz parte da Direção em representação da BP Portugal, é inevitável olhar para trás. Não apenas para recordar os acontecimentos que marcaram este período, mas, sobretudo, para reconhecer as pessoas e as instituições com quem tive o privilégio de trabalhar. Foi um percurso exigente, de aprendizagem constante e de grande responsabilidade. E foi, acima de tudo, um percurso partilhado.

A associação que encontrei, então denominada APETRO — Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas, representava já um setor essencial à economia e à vida quotidiana dos portugueses. Mas o contexto em que exercemos essa responsabilidade alterou-se profundamente. À evolução das tecnologias, dos produtos e dos mercados juntou-se uma transformação do enquadramento legislativo e das expectativas da sociedade, à escala mundial, europeia e nacional.

Vivemos períodos particularmente difíceis. Os conflitos internacionais recordaram-nos a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento e a importância da segurança energética. A pandemia confrontou-nos com uma realidade até então impensável, exigindo capacidade de adaptação e continuidade de serviço em circunstâncias excecionais. Ao mesmo tempo, a redução das emissões de gases com efeito de estufa e a descarbonização da indústria, dos edifícios e dos transportes passaram a ocupar um lugar central nas políticas públicas e nas estratégias empresariais.

Ao longo destes anos, procurei contribuir para uma discussão que reconhecesse a complexidade destes desafios. A transição energética exige ambição ambiental, mas também realismo na avaliação das soluções, dos seus custos e dos seus prazos de concretização. Segurança do abastecimento, competitividade económica e sustentabilidade não devem ser tratadas como objetivos incompatíveis. Conciliá-las é precisamente uma das responsabilidades mais importantes que temos pela frente.

Como Secretário-Geral, coube-me liderar a associação neste percurso, em articulação com as sucessivas Direções e com as empresas associadas. Foi necessário adaptar prioridades, atualizar posições e procurar respostas para questões que nem sempre tinham precedentes. Procurei fazê-lo com rigor técnico, disponibilidade para o diálogo e respeito pela diversidade de perspetivas, dentro e fora da associação. Representar um setor implica defender os seus interesses legítimos, mas também compreender as preocupações da sociedade e contribuir para soluções de interesse comum.

A passagem da APETRO à EPCOL simboliza, para mim, essa capacidade de evolução. Preservando a experiência e o conhecimento acumulados, fomos ajustando a nossa identidade e o nosso posicionamento a um setor em mudança. Mais do que uma alteração de nome, vejo nela a expressão de uma associação que procura acompanhar a transformação das suas empresas e manter-se relevante no debate sobre o futuro da energia.

Esse percurso teve também uma dimensão europeia que fizemos questão de reforçar. À nossa participação na LGE, anteriormente AEGPL, e ao relacionamento com a FuelsEurope, antiga EUROPIA, juntaram-se as adesões à FETSA e à UEIL. Esta cooperação permitiu-nos alargar a troca de experiências, compreender melhor desafios comuns e levar a perspetiva portuguesa a espaços de discussão cada vez mais relevantes para a atividade das nossas empresas. Num setor profundamente interligado, o diálogo nacional e o europeu são inseparáveis.

Mas, quando penso nestes dezassete anos, são sobretudo as pessoas que me vêm à memória.

Aos colaboradores da associação, atuais e àqueles que connosco trabalharam ao longo deste período, deixo um agradecimento muito especial. O vosso profissionalismo, dedicação e disponibilidade foram fundamentais. O trabalho de uma associação faz-se, em grande medida, longe da visibilidade pública: na preparação de uma posição, na análise de um diploma, na resposta a uma empresa ou na organização de uma reunião. Foi nesse trabalho diário que assentou muito do que conseguimos construir. Obrigado pelo apoio, pela confiança e pelo espírito de equipa.

Aos membros das sucessivas Direções e aos dirigentes das empresas associadas, agradeço a confiança que depositaram em mim, a partilha de conhecimento e a disponibilidade para construir posições comuns. Estendo esse reconhecimento aos representantes e especialistas das empresas que participaram nos nossos trabalhos. A associação foi mais forte sempre que soubemos juntar experiências diferentes em torno de objetivos partilhados, sem perder o respeito pela identidade de cada empresa.

Agradeço igualmente aos interlocutores no Governo, no Parlamento e na Administração Pública com quem trabalhei. Nem sempre estivemos de acordo, e isso faz parte de um diálogo institucional saudável. Permito-me salientar os Conselhos Consultivos da URP / ENSE e da ERSE. Valorizei a abertura para ouvir, a exigência dos debates e a procura de soluções fundamentadas. À Academia, agradeço o conhecimento e o questionamento que nos ajudaram a aprofundar a reflexão. Às associações nacionais e internacionais e a todas as demais entidades e partes interessadas, agradeço a cooperação e as relações de confiança construídas ao longo dos anos.

Desta experiência levo uma convicção reforçada: as melhores respostas raramente se constroem isoladamente. Exigem conhecimento, escuta e disponibilidade para rever posições. Aprendi muito com quem partilhou as nossas preocupações, mas também com quem nos desafiou a olhar para os problemas de outra forma.

Deixo estas funções com orgulho no trabalho realizado em conjunto e com consciência de que muito permanece por fazer. O futuro continuará a exigir uma associação competente, participativa e aberta à mudança. É com confiança nesse futuro, e com profundo reconhecimento por todos os que fizeram parte deste percurso, que encerro esta etapa.

A todos, o meu sincero muito obrigado.

António Comprido
Secretário-Geral da EPCOL

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