A importância dos combustíveis líquidos na segurança do abastecimento em cenários de conflito - e-outlook março 2026

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31 de março de 2026

A importância dos combustíveis líquidos na segurança do abastecimento em cenários de conflito

A segurança do abastecimento energético constitui um dos pilares fundamentais da estabilidade económica e da soberania dos Estados. Em contextos de conflito armado, como as guerras na Ucrânia e no Irão, essa dimensão torna-se ainda mais crítica, destacando o papel estratégico dos combustíveis líquidos — nomeadamente o petróleo e seus derivados — como elementos centrais da resiliência energética e militar.

Os combustíveis líquidos apresentam características únicas que explicam a sua relevância em cenários de crise. Em primeiro lugar, possuem elevada densidade energética e facilidade de armazenamento e transporte, permitindo a criação de reservas estratégicas e a mobilidade rápida de forças militares e cadeias logísticas. Não é por acaso que setores como a defesa continuam altamente dependentes do petróleo. Em situações de conflito, esta dependência traduz-se na necessidade de garantir fluxos contínuos de abastecimento para veículos, aviação, marinha e infraestruturas críticas.

A guerra na Ucrânia evidenciou de forma clara as vulnerabilidades associadas à dependência energética externa. A Europa, fortemente dependente de combustíveis fósseis russos, viu-se confrontada com uma crise energética marcada pela volatilidade de preços e pela incerteza no fornecimento. Este contexto demonstrou que a segurança energética não pode ser dissociada da geopolítica: países exportadores podem utilizar o fornecimento de energia como instrumento de pressão política.

Além disso, os combustíveis líquidos desempenham um papel crucial na flexibilidade do sistema energético em momentos de disrupção. Ao contrário de outras fontes, pode ser transportado globalmente por via marítima, permitindo a diversificação de fornecedores. Além disso a crescente utilização de combustíveis de baixo carbono, caso dos biocombustíveis, misturados com os de origem fóssil ou mesmo em estado puro, como o HVO, aumentam a diversidade das fontes de abastecimento e consequentemente da sua resiliência.

Outro aspeto relevante é o papel dos combustíveis líquidos como “energia de último recurso” em sistemas energéticos complexos. Mesmo em economias que avançam para a descarbonização, o petróleo e os seus derivados continuam a assegurar a continuidade de serviços essenciais em situações de emergência. A guerra na Ucrânia reforçou essa realidade, ao demonstrar que a transição energética deve ser equilibrada com a necessidade de garantir segurança de abastecimento, para além dos aspetos económicos e sociais.

Adicionalmente, os conflitos contemporâneos têm evidenciado novas vulnerabilidades, incluindo ataques físicos e cibernéticos a infraestruturas energéticas. Refinarias, oleodutos e terminais logísticos tornam-se alvos estratégicos, podendo comprometer rapidamente a disponibilidade de combustíveis líquidos. No entanto o mesmo acontece com outras formas de energia, incluindo a eletricidade.

Face a este contexto, os Estados têm reforçado políticas de segurança energética, incluindo a constituição de reservas estratégicas, a diversificação de fornecedores e o investimento em capacidades logísticas. Também o papel dos combustíveis de baixo carbono, de origem não fóssil, deverá ser tido em conta. A diplomacia energética assume também um papel central, articulando interesses económicos e estratégicos.

Em conclusão, apesar da crescente aposta em energias renováveis, os combustíveis líquidos continuam a desempenhar um papel insubstituível na segurança do abastecimento, especialmente em cenários de conflito. A sua flexibilidade, capacidade de armazenamento e relevância militar tornam-nos um elemento-chave da resiliência energética. Isto para além de poderem contribuir para uma transição energética não disruptiva, com a crescente utilização de combustíveis de baixo carbono, como atrás referido.

António Comprido, Secretário Geral EPCOL

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