
A publicação da proposta da Comissão para preparar as faturas de eletricidade da UE para o futuro, suscita preocupações. Em vez de se focar na criação de um quadro favorável para garantir energia fiável e acessível, reduzir os custos da eletricidade e preservar a competitividade industrial, a Comissão adota uma abordagem restrita em relação à transição energética, que corre o risco de transferir os custos da eletricidade para outros vetores energéticos.
Embora a eletrificação seja um dos caminhos da transição energética, os combustíveis renováveis e de baixo carbono, as tecnologias de gestão de carbono, o armazenamento e a flexibilidade do sistema continuarão a ser indispensáveis para alcançar a neutralidade climática, preservando ao mesmo tempo a segurança energética, a acessibilidade aos preços e a resiliência industrial da UE.
A iniciativa da Comissão não consegue reconhecer a natureza complementar destas soluções. Esta abordagem apresenta incongruências com outras iniciativas da Comissão, como a Comunicação *AccelerateEU*, que reconhece o papel estratégico dos combustíveis renováveis e de baixo carbono.
Liana Gouta, Diretora-Geral da nossa congénere europeia FuelsEurope, declarou: "A Europa precisa de uma transição energética integrada, que inclua tanto moléculas como eletrões". A mesma acrescentou: "Uma transição energética bem-sucedida combinará a eletrificação com combustíveis renováveis e de baixo carbono, proporcionando acessibilidade, resiliência e competitividade para os cidadãos e a indústria europeus".
A Indústria de fabricação de combustíveis apoia medidas para reduzir o custo global da eletricidade. No entanto, considera que é importante garantir que a redução da carga fiscal sobre a eletricidade não conduza a impostos especiais de consumo mais elevados ou a taxas adicionais sobre os gases e combustíveis renováveis e de baixo carbono. Tal abordagem penalizaria os utilizadores de energia com alternativas limitadas de eletrificação — especialmente no curto prazo —, criaria novas distorções de competitividade em vez de reduzir os custos globais de energia e prejudicaria a viabilidade económica de investimentos em combustíveis renováveis e de baixo carbono.
Por isso, defendemos uma abordagem equilibrada e tecnologicamente neutra, que acelere a transição energética, enquanto apoia todos os caminhos viáveis de descarbonização e garante que nenhum consumidor, setor industrial ou região é deixado para trás.