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06/10/2026

G7 reconhece refinação como setor estratégico e lança alerta à Europa

Mercado Petrolífero

Os líderes do G7 reconheceram a importância estratégica da indústria de refinação para a segurança energética, a estabilidade dos mercados e a resiliência económica, num sinal político que poderá reforçar o debate sobre o futuro do setor na Europa.

A posição assumida pelo grupo das economias mais industrializadas surge num momento em que o continente europeu enfrenta uma redução continuada da sua capacidade de refinação, enquanto continua dependente dos combustíveis e matérias-primas produzidos pelo setor para sustentar atividades essenciais, desde os transportes e a indústria até à agricultura e à defesa.

Segundo a nossa congénere europeia FuelsEurope, associação que representa a indústria europeia de combustíveis, a declaração do G7 reflete uma crescente preocupação com a capacidade dos países ocidentais de garantir o abastecimento energético num contexto marcado por tensões geopolíticas e pela volatilidade dos mercados globais.

Desde 2009, a Europa encerrou 35 refinarias, registando uma quebra de cerca de 20% na sua capacidade de refinação. Apesar dessa redução, o setor continua a desempenhar um papel central no fornecimento de combustíveis e produtos fundamentais para a economia europeia.

"A mensagem dos líderes do G7 é clara: a refinação é uma indústria estratégica e um dos pilares da segurança energética", afirmou Liana Gouta, diretora-geral da FuelsEurope. Para a responsável, a União Europeia não conseguirá reforçar a sua autonomia energética nem aumentar a sua resiliência económica sem um setor de refinação competitivo e robusto.

A dirigente defende que o reconhecimento político agora expresso pelo G7 deve traduzir-se em medidas concretas. Segundo Gouta, o debate não deve limitar-se à resposta às atuais crises geopolíticas, mas também considerar o papel que as refinarias poderão desempenhar na transição energética nas próximas décadas.

A indústria sustenta que as refinarias europeias têm potencial para se transformar em plataformas industriais capazes de produzir combustíveis renováveis e de baixo carbono, contribuindo simultaneamente para os objetivos climáticos da União Europeia e para a manutenção da competitividade industrial.

Neste contexto, a FuelsEurope voltou a pedir à Comissão Europeia a criação de um diálogo estratégico permanente com o setor da refinação e da produção de combustíveis. A proposta visa reunir decisores políticos e indústria para avaliar riscos relacionados com a segurança do abastecimento, o clima de investimento e a competitividade europeia, tanto em períodos de estabilidade como em momentos de crise internacional.

Para a associação, uma indústria de refinação forte não é apenas uma questão de segurança energética. A modernização do setor é vista também como uma condição essencial para alcançar as metas climáticas europeias de forma economicamente sustentável, reduzir dependências externas e apoiar o desenvolvimento de combustíveis mais limpos.

A Europa deverá, portanto, seguir o exemplo do debate lançado pelo G7 e promover uma discussão estratégica própria, ao mais alto nível político, sobre o reforço da segurança energética e da autonomia estratégica do continente, processo para o qual a Indústria europeia de Combustíveis tem reiterado sucessivamente a sua disponibilidade.

Leia aqui o Comunicado da FuelsEurope sobre este assunto