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23/12/2025

Proposta de Veículos Corporativos Limpos: Uma proibição de facto para motores a combustão interna (ICE)

Transportes

A proposta da Comissão Europeia para Veículos Corporativos Limpos, incluída no recentemente anunciado Automotive Package, levanta-nos sérias preocupações quanto à neutralidade tecnológica e o seu impacto na realidade industrial europeia.

A proposta define como veículos corporativos “limpos” unicamente aqueles com emissões zero e baixa emissão de carbono, o que se traduz, na prática, exclusivamente em veículos elétricos com bateria, concedendo um papel muito limitado aos veículos híbridos plug-in.

Os veículos abastecidos exclusivamente com combustíveis renováveis não estão incluídos, excluindo-se assim as outras soluções renováveis e de baixo carbono, essenciais para uma trajetória de descarbonização equilibrada e resiliente.

Na opinião da FuelsEurope, a que a EPCOL se associa, tal interpretação restritiva, contrasta absolutamente com os compromissos políticos repetidamente assumidos pela Comissão relativamente à neutralidade tecnológica e simplesmente ignora a diversidade de soluções necessárias para a descarbonização dos transportes em diferentes utilizações, regiões e segmentos de mercado.

Esta proposta da Comissão está inclusive em oposição à proposta de revisão dos Padrões de emissão de CO2 em veículos ligeiros, contida no mesmo Automotive Package, e onde se reconhece aos combustíveis renováveis o seu papel, embora limitado, na descarbonização dos transportes .

Esta proposta de Veículos Corporativos Limpos, ignora efetivamente as tecnologias de motores de combustão interna (ICE) nas frotas corporativas, independentemente de seu desempenho de emissões ou compatibilidade com combustíveis renováveis e de baixo carbono. As metas nacionais e ratios exigíveis para estes veículos definidos para alguns Estados-Membros, equivalem a uma quase proibição das tecnologias ICE até 2035, alcançada agora não por meio de uma proibição explícita, mas através de restrições regulatórias que conduzem o mercado à seleção do veículo elétrico com baterias, sem deixar alternativas viáveis.

Esta abordagem, afetando agora a procura dos veículos automóveis no seu todo, prejudica a segurança dos investimentos, a competitividade industrial e os objetivos mais amplos da transição energética na Europa.

As frotas corporativas desempenham um papel crucial na renovação da frota automóvel e na adoção de novas tecnologias pelo mercado. Limitar esse mercado a poucas soluções tecnológicas corre o risco de criar dependências estruturais, aumentar os custos para empresas e cidadãos, desconsiderando o potencial de soluções complementares que conduzem a reduções imediatas de emissões.

Uma estratégia de descarbonização crível deve ser inclusiva, neutra em relação à tecnologia e baseada em condições realistas. A proposta apresentada pela CE para Veículos Corporativos Limpos, tal como apresentada, não atende a esses critérios e deve ser simplesmente reconsiderada.